Al Ain é a segunda maior cidade do emirado de Abu Dhabi e a quarta do país, mas no espírito é o oposto completo da capital: prédios baixos, sombra de palmeiras, fortes de barro e proibição de construir arranha-céus. O xeique Zayed, fundador dos Emirados, nasceu aqui, e a cidade é preservada como patrimônio nacional, com o apelido de Cidade Jardim. De Dubai são 140 km pela E66, uma hora e meia ao volante.
A rota
A E66, a Dubai-Al Ain Road, começa no trevo perto do Dubai Outlet Mall e segue direto para o sudeste pelo deserto. São quatro faixas em cada sentido, limite de 120 a 140 km/h e radares a cada 3 km. No caminho aparecem fazendas de camelos na beira da estrada, uma pista de corrida de camelos e a vila de Al Faqa; perto de Al Ain o deserto dá lugar a plantações verdes, cultivadas ao longo de décadas pelo programa nacional de arborização.
A divisa com o emirado de Abu Dhabi fica por volta do quilômetro 70, e a partir dali a tolerância de 20 km/h desaparece: em Abu Dhabi a multa vale a partir de 1 km/h acima da placa. É o erro mais comum dos visitantes nessa rota. Não há pedágio, exceto o pórtico do Salik na saída de Dubai. Há postos ADNOC a cada 30 km.
O que ver
- Oásis de Al Ain. 147 mil tamareiras em 1.200 hectares, com o antigo sistema de irrigação falaj, que funciona há mais de três mil anos, Patrimônio Mundial da UNESCO. Entrada gratuita, alamedas de sombra densa, frescas mesmo no calor, e um centro ecológico que explica o sistema de canais. Estacionamento gratuito em várias entradas.
- Jebel Hafeet. Uma montanha de 1.240 metros com uma estrada de serra de 12 km que aparece com frequência nas listas das melhores estradas do mundo para dirigir: três faixas, asfalto perfeito, sessenta curvas e guard-rail em toda a extensão. Do alto dá para ver Omã e o deserto até o horizonte. No topo há mirante, café e o hotel Mercure. Na descida, use marcha reduzida ou o modo L: os freios superaquecem em doze quilômetros de descida contínua.
- Fontes termais de Green Mubazzarah, no pé da montanha: um parque com piscinas termais, gramados, parquinhos e trenzinho. As famílias param aqui depois de descer do topo.
- Zoológico de Al Ain. Um dos melhores do Oriente Médio, com 900 hectares, e parte do programa de conservação do órix-árabe. Há um safári de jipe por uma área de savana africana com girafas e leões. Entrada de 32 AED, safári a partir de 200 AED. No verão abre à noite.
- Forte Al Jahili. Uma fortaleza de 1891, entre as maiores dos Emirados, com exposição permanente de fotos do explorador britânico Wilfred Thesiger. Entrada gratuita.
- Museu do Palácio do Xeique Zayed. A casa onde a família do fundador viveu até 1966, com os ambientes preservados. Entrada gratuita.
- O mercado de camelos, na periferia da cidade: comércio de verdade e negócios fechados ao vivo; pode fotografar, mas peça licença antes. Só de manhã.
- Parque Arqueológico de Hili, com túmulos da Idade do Bronze de uns 4.500 anos.
Roteiro de um dia
Saia de Dubai às 7h30. Às 9h, o mercado de camelos, antes do calor e com o comércio a todo vapor. O oásis e o museu do palácio até o meio-dia, na sombra e no fresco. Almoço na cidade velha, num restaurante árabe local, onde a conta sai bem mais barata que em Dubai. Depois do almoço, o Forte Al Jahili, ou o zoológico se você estiver com crianças. O Jebel Hafeet entre 15h e 16h, para subir e ver o pôr do sol lá em cima: é quando a luz nas curvas fica mais bonita. De volta a Dubai entre 20h e 21h.
O dia soma cerca de 320 km, um pouco acima do limite diário de 250 km, então os quilômetros excedentes são cobrados pela tarifa indicada na página do carro; a outra opção é combinar quilometragem livre com antecedência.
Qual carro escolher
A subida do Jebel Hafeet é muito mais agradável com potência de sobra: doze quilômetros de aclive contínuo levam um motor de 1,2 litro ao limite, principalmente com o carro cheio e o ar-condicionado ligado. Um Kia K5, Mazda 6, Honda Accord ou qualquer crossover a partir de 150 cv transforma a subida num prazer. SUV não é necessário, já que a estrada é asfaltada, mas um Nissan Patrol no topo parece estar em casa, assim como qualquer carro potente: os moradores sobem só pela estrada.
Para uma família que planeja o zoológico e as fontes termais, o porta-malas e as saídas de ar traseiras importam mais: Kia Sportage, Hyundai Tucson, Toyota RAV4.
Quando ir
De outubro a abril o clima é agradável o dia inteiro. No verão o oásis e o zoológico são suportáveis graças à sombra, enquanto a montanha e o mercado só funcionam de manhã cedo ou depois do pôr do sol. Al Ain fica longe do mar, então a umidade é menor que em Dubai e a mesma temperatura pesa menos. Nas noites de inverno o topo do Hafeet cai para 8 a 10 graus, então leve um casaco se pretende ficar para o pôr do sol.
Informações práticas
Al Ain faz divisa com a cidade omani de Buraimi, e a fronteira atravessa a cidade e é sinalizada. Cruzá-la sem querer é difícil, mas os aplicativos de navegação às vezes traçam rotas por território omani: confira o trajeto antes de sair, porque levar carro alugado para o outro lado da fronteira sem autorização é proibido. A cidade tem o estacionamento pago Mawaqif, com pagamento por aplicativo, mas todas as atrações têm estacionamento gratuito.
Jebel Hafeet: como dirigir nas curvas da serra
Doze quilômetros de subida com 1.200 metros de desnível exigem bastante do carro, principalmente no verão. Algumas regras práticas.
Na subida: não tente segurar uma marcha alta, deixe o câmbio reduzir. Fique de olho no marcador de temperatura do motor, se o carro tiver. Se aparecer o alerta de superaquecimento, pare imediatamente num recuo, abra o capô e deixe esfriar de 20 a 30 minutos, sem abrir a tampa do radiador. Aliviar o ar-condicionado ajuda numa subida quente.
Na descida: passe para o modo manual ou L e use o freio motor. Frear o tempo todo no pedal ao longo de doze quilômetros de descida superaquece os freios, o pedal fica mole e a frenagem perde eficiência. É o problema mais comum dos motoristas inexperientes nessa estrada.
No geral: mantenha-se na sua faixa nas curvas, porque os moradores dirigem rápido. Não pare na pista para tirar fotos; há recuos a cada poucas centenas de metros. Ao anoitecer aparecem burros selvagens e cabras na estrada.
Al Ain para famílias com crianças
Esse destino agrada às crianças mais do que muitas atrações de Dubai. O Zoológico de Al Ain é um dos maiores da região, com jipes de safári por uma área de savana africana onde as girafas chegam bem perto do veículo. A entrada custa 32 AED para adultos e é gratuita para crianças de até 3 anos.
As fontes termais de Green Mubazzarah são um parque com piscinas, gramados, parquinhos e trenzinho, onde as famílias locais passam o dia inteiro fazendo piquenique. A entrada é gratuita.
O oásis, com caminhos sombreados entre as palmeiras e canais falaj em funcionamento, envolve as crianças como uma exploração, e não como um museu. Há bicicletas para alugar.
O Museu do Palácio do Xeique Zayed mostra a vida de uma família emiradense em meados do século XX sem vitrines nem cordões de isolamento, então as crianças podem entrar nos cômodos e tocar nos objetos.
Como combinar Al Ain com outros destinos
Al Ain fica no meio do caminho entre Dubai e a fronteira de Omã e combina bem com vários roteiros. Opção um: Al Ain e volta a Dubai no mesmo dia, 320 km, a escolha mais comum. Opção dois: Dubai, Al Ain, Abu Dhabi e volta, em dois dias com uma noite na capital, cerca de 500 km, para ver as duas cidades sem pressa. Opção três: Dubai e Al Ain com uma noite no hotel Mercure, no topo do Jebel Hafeet, para ver o nascer do sol lá de cima, uma experiência por si só.